Minha História: Gabriella Figueiredo dos Santos
Publicamos abaixo a estória enviada por Gabriella Figueiredo dos Santos, 21 anos, estudante de Ciências Sociais
Sem dúvida a doença celíaca se dilui em parte do que eu sou a cada momento. A alimentação ganhou novo olhar, mas principalmente novo significado em minha vida. Descobri a doença celíaca há quatro anos, foi em uma época de stress, regada a muitos alimentos integrais e pouco sono. Mergulhava no mundo dos alimentos com fibras e dos alimentos naturais buscando mais saúde e energia, mas sem imaginar que se tornariam meu próprio veneno.
Após o diagnóstico, minha reação foi apática, pois não imaginava a extensão de alimentos que seria abolida da minha dieta. Minhas possibilidades de escolha inicialmente foram reduzidas, a cada dia descobria mais um rótulo que dizia: “Contém glúten”. Entre os conhecidos e amigos, toda aquela restrição causava bastante estranhamento, muitos ainda não compreendem como é a vida sem um nutriente que parece ser onipresente. Mas reitero, parece ser onipresente, uma vez que assumido o fato de que a mudança no comportamento alimentar é necessária, outro universo passa a fazer parte de sua rotina, cuja reconstrução só é feita por quem possui a restrição alimentar.
Sou estudante universitária em Florianópolis, tenho 21 anos e de forma peculiar à maioria dos meus amigos, me relaciono com o alimento de maneira bastante prazerosa. O foco passou a ser os alimentos que contém o que eu posso ingerir e não os que contêm o que não me faz bem. É claro que sinto falta de algumas coisas, como por exemplo, pizza, pastel de feira, bolos de boas confeitarias, mas pensando com mais atenção, talvez não sinta falta puramente desses alimentos, mas sim dos momentos promovidos em conjunto, para comer. Uma pessoa com restrição alimentar aprende a comer antes de sair, levar onde for a sua própria comida de casa ou ainda a ser um tanto criativo com os produtos oferecidos no estabelecimento que estiver, além de doses generosas de bom-humor, paciência e simpatia com os atendentes, claro, pois ainda há quem não saiba o que é glúten e outros alimentos potencialmente alergênicos.
Informação, principalmente com um assunto tão sério quanto as restrições alimentares, é essencial e enriqueceria as possibilidades de boa convivência social entre celíacos e não celíacos. Essa é uma de minhas motivações, estudo Ciências Sociais na UFSC e estou iniciando uma pesquisa com o objetivo de observar os problemas que podem surgir neste sentido. O desejo de aprofundar-me neste tema assumo ser pessoal, afinal, ser celíaca é algo que influencia profundamente minha identidade e faz parte da minha história!
Cada um tem sua maneira de lidar com os acontecimentos, no meu caso, sempre que me deparei com restrições ou perdas, passei a dar importância à outras coisas. Talvez como forma de defesa, talvez como distração ou ainda como uma saída para viver como se deve, com alegria e intensidade. Adaptar-se a novos hábitos alimentares é um exercício de flexibilidade e mais uma chance de fazer algo diferente por si mesmo. É reinaugurar-se, independente de antigos hábitos.
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7 Comentários »
(não poderemos responder questões sobre diagnóstico, tratamento ou sintomas, procure sempre aconselhamento médico. No caso de receitas, não sabemos o resultado da substituição de ingredientes. Caso faça uma substituição e dê certo, sinta-se a vontade para publicar a sugestão aqui! Pedimos também que evitem postar publicidade sobre produtos e serviços, para anunciar no site clique aqui)
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(não poderemos responder questões sobre diagnóstico ou sintomas, procure sempre aconselhamento médico. No caso de receitas, não sabemos o resultado da substituição de ingredientes. Caso faça uma substituição e dê certo, sinta-se a vontade para publicar a sugestão aqui! Pedimos também que evitem postar publicidade sobre produtos e serviços, para anunciar no site clique aqui)


Gabriella, excelente o relato de sua experiência e a maneira como você enfrenta o processo. E é assim mesmo, pois não há uma fórmula pronta de como lidar com essa restrição , porque a cada dia nos deparamos com um dificultador nesse tipo de dieta. O desejo e vontade sempre vão permear nosso caminho e a diferença está no conhecimento sobre a doença e suas consequências, se não tratada. Parabéns.
Muito obrigada, Ângela!!! Aproveito também, para agradecer à Revista, o espaço compartilhado entre pessoas que fazem da restrição uma maneira de viver com mais qualidade e saúde!!
Estou à disposição para quaisquer dúvidas ou em o que puder ajudar.
Meu e-mail e msn: gabips2@hotmail.com
Abraços,
Gabriella
Muito obrigada, Ângela!!! Aproveito também, para agradecer à Revista, o espaço compartilhado entre pessoas que fazem da restrição uma maneira de viver com mais qualidade e saúde!!
Estou à disposição para quaisquer dúvidas ou em o que puder ajudar.
Meu e-mail e msn: gabips2@hotmail.com
Abraços,
Gabriella.
É, mais uma história emocionante!
Parabéns Gabriella pela sua força e pelo modo como você encara a doença.
Você é um exemplo a ser seguido.
Um grande Abraço.
Graças à Deus, descobri que era celíaco aos 57 anos, pois a mesma se manifestou com essa idade. Porém até os médicos que me tratavam , demoraram muito a diagnosticar,pois eu tinha muita anemia, falta de apetite e com isso perdi muito peso. Até exame de sangue (elisa),para ver se eu tinha o viros da aids eu fiz. Imaginem voces o sofrimento de quando fui apanhar o resultado do tal exame. Mas finalmente apareceu um médico mais talentoso e me enviou para o Gastro. Hoje vivo bem ,mas me cuidando.
Abraços a todos nós que descobrimos a tempo esta deficiência do nosso intestino.
Cláudio.
Obrigada Gabriela pelo depoimento pois são eles quem nos dão força para essa nova etapa da vida.Ainda estou me adaptando com a doença descobri a dois meses.Preciso me organizar para contar a minha estória também!!!!Gostaria de trocar figurinhas com você!!!Sobre seu peso ,teve dificuldade para ganhar??? Pois é eu tenho facilidade para perder!!!!Tenho que com sempre!!!beijos Nataly
Faz mais ou menos 1 mês que ao levar minha filha para um exame em Rio Preto SP tive um diagnóstico quase que inacreditavél!!! Ela é alergica a lactose, caseína , glúten, todos os corantes artificiais e tem uma sindrome chamada latex-frutas....Ainda estou um pouco perdida pois sua alimentação se baseia somente em arroz e milho, carnes de boi, frango e porco caipira, até a borracha escolar tive que tirar.Gostaria de saber se tem outras pessoas com esse problema para entrarmos em contato!!!!